A sorte, também conhecida como hamingja, é a manifestação externa da Frith e da Honra. A sorte no paganismo germânico nada tem a ver com aleatoriedade. Os antigos pagãos acreditavam que, para o innangard, a sorte era uma força que garantia o sucesso justamente por ser um reflexo direto do destino e da força, seu e da sua tribo.
Grönbech, em seu excelente livro The Culture of the Teutons, traz a seguinte passagem:
Este conceito importantíssimo era passado de geração a geração, o que nos dá mais uma razão para o porquê de laços de parentesco (o innangard) serem tão importantes no paganismo germânico. Seus talentos naturais são herdados e, estes talentos, quando aplicados de forma generosa, podem contribuir para a proteção e melhoria da sorte da tribo. Alguns nascem como líderes naturais, outros, são ótimos atletas. Ainda há as pessoas que nascem com cérebros que se assemelham a computadores, enquanto outros conseguem capturar de forma majestosa o mundo com apenas papel e caneta. Além disso tudo, o poder da sorte determinada pelas ações dos nossos ancestrais flui por nossa vida também.
Sendo assim, ao possuirmos determinados traços particulares – que em alguns casos podem até mesmo serem únicos -- é importante que estes agreguem e sejam respeitados pelo innangard, precisamente pelo fato de que, para construirmos uma tribo, um innangard saudável, é necessária uma sorte poderosa e igualmente saudável. Este é o seu direito de nascença. É a nossa responsabilidade de proteger e melhorar a sorte da nossa família para o benefício de nossos descendentes.
Entretanto, não podemos confundir a sorte como apenas alguém ter uma característica ou talento inato que desenvolve e aperfeiçoa seu innangard. Voltemos ao exemplo do homem que possuía a sorte da colheita.
A sorte da colheita de um homem é o poder que o inspira a ser cuidadoso, incansável, que o permite utilizar de suas ferramentas de forma adequada; é o que o ajuda a não perder tempo num solo infértil. Como Grönbech cita: “[...] é o que faz o milho crescer, que salva as plantas de morrerem congeladas [...] é a força que segue a colheita até em casa, fica com elas até o momento em que chega a sua mesa.”
Como é possível perceber no exemplo anterior, a sorte é desenvolvida pelas nossas ações, sejam elas particulares ou coletivas. Os conceitos de frith e honra nunca foram tão importantes como para a sorte.
Uma sorte poderosa pode se manifestar nas mais variadas formas. Todos nós conhecemos alguém que parece estar sempre no lugar certo e na hora certa. Tudo parece que dá certo para esta pessoa. Isso não é aleatório, não acontece do nada; é assim que a sorte afeta a sua vida. Como dito anteriormente, a sorte é a manifestação externa da Frith e da Honra. Sendo assim, cresça e fortaleça a sua Frith através do ciclo de presentes e com atos de bondade e generosidade para com seu innangard. Outros atos honrosos, os quais são determinados pelo seu innangard, também vão agir para fortalecer sua frith. Conduzir rituais para os ancestrais, espíritos da natureza, para os deuses também pode servir para melhorar a sorte da tribo. Afinal, a sorte pode ser literalmente dada como presente para ajudar o recebedor.
Todavia, ter uma sorte fraca pode ter o efeito oposto. Peguemos a pessoa do exemplo anterior e invertamos a situação. Ela agora estaria constantemente guardando erroneamente documentos importantes, esqueceria compromissos e até mesmo perderia as chaves do carro. Conquanto isto pode acontecer com qualquer um, estas coisas irão tender a acontecer com mais frequência com pessoas “sem sorte”. Da mesma forma, agir de forma desonrosa danificará a frith em vários graus. Agressão passiva, por exemplo, é comumente pensada como desonrosa. Falar mal de alguém enquanto esta pessoa não está presente pode gerar sentimentos ruins. Estas emoções podem fazer com que as pessoas ajam de forma reservada, diminuindo assim as chances de agirem de forma generosa e como consequência ocorre a degradação da frith, honra, e da sorte.
Como podemos ver, os antigos pagãos colocavam uma grande ênfase na sorte, e esta sorte era passada hereditariamente desde o início. Você não precisa ser um pagão germânico para ter sorte, já que este conceito, como todos os outros, são parte da lei natural. Os conceitos de frith, honra, e sorte estão no epicentro da visão de mundo dos antigos pagãos. Estes três são diretamente proporcionais entre si, então basta fortalecer um, que os outros seguirão o mesmo caminho. Quaisquer outros conceitos que possamos ver e interagir são baseados ou relacionados a estes três.
Agora que temos um conhecimento mais aprofundado do que seria a sorte, fica evidente que está dentro das nossas capacidades de fazer mudanças positivas e negativas em nossas vidas e na nossa sorte. Não à toa: o destino está em nossas mãos.
Bibliografia:
GRONBËCH, The Culture of the Teutons
SOMMER, The Norse Concept of Luck
“Quando as plantações de um homem traziam ótimas colheitas, quando suas terras eram raramente visitadas por geada ou seca, este era chamado de beársæll: ele possuía a sorte da fertilidade.”Ou seja, a sorte para os povos germânicos de outrora era uma característica, e não uma aleatoriedade. Acreditava-se que a sorte, por ser esta característica, poderia estar contida, literalmente, em objetos físicos e que fosse possível enviá-la à sua vontade. Objetos de família eram altamente estimados, tendo em vista que eles agiam como um recipiente para a sorte da família.
Esta sorte, como supracitado poderia ser dada para outra pessoa de forma voluntária. Podemos dar como um exemplo a seguinte situação: quando um rei (“rico de sorte”) desejasse-lhe boa sorte em suas viagens, ele estava enviando a você uma porção de sua própria sorte, para que lhe ajudasse em sua viagem. Um rei poderia ter tanta sorte, que a passava para as armas de seus guerreiros para que os ajudassem em batalha, ou ainda às velas dos navios para que os ventos soprassem ao seu favor. O conceito de sorte no paganismo germânico é também a fundação para outros conceitos: orlög e valor. No entanto, esses tópicos merecem seus próprios artigos.
Este conceito importantíssimo era passado de geração a geração, o que nos dá mais uma razão para o porquê de laços de parentesco (o innangard) serem tão importantes no paganismo germânico. Seus talentos naturais são herdados e, estes talentos, quando aplicados de forma generosa, podem contribuir para a proteção e melhoria da sorte da tribo. Alguns nascem como líderes naturais, outros, são ótimos atletas. Ainda há as pessoas que nascem com cérebros que se assemelham a computadores, enquanto outros conseguem capturar de forma majestosa o mundo com apenas papel e caneta. Além disso tudo, o poder da sorte determinada pelas ações dos nossos ancestrais flui por nossa vida também.
Sendo assim, ao possuirmos determinados traços particulares – que em alguns casos podem até mesmo serem únicos -- é importante que estes agreguem e sejam respeitados pelo innangard, precisamente pelo fato de que, para construirmos uma tribo, um innangard saudável, é necessária uma sorte poderosa e igualmente saudável. Este é o seu direito de nascença. É a nossa responsabilidade de proteger e melhorar a sorte da nossa família para o benefício de nossos descendentes.
Entretanto, não podemos confundir a sorte como apenas alguém ter uma característica ou talento inato que desenvolve e aperfeiçoa seu innangard. Voltemos ao exemplo do homem que possuía a sorte da colheita.
A sorte da colheita de um homem é o poder que o inspira a ser cuidadoso, incansável, que o permite utilizar de suas ferramentas de forma adequada; é o que o ajuda a não perder tempo num solo infértil. Como Grönbech cita: “[...] é o que faz o milho crescer, que salva as plantas de morrerem congeladas [...] é a força que segue a colheita até em casa, fica com elas até o momento em que chega a sua mesa.”
Como é possível perceber no exemplo anterior, a sorte é desenvolvida pelas nossas ações, sejam elas particulares ou coletivas. Os conceitos de frith e honra nunca foram tão importantes como para a sorte.
Uma sorte poderosa pode se manifestar nas mais variadas formas. Todos nós conhecemos alguém que parece estar sempre no lugar certo e na hora certa. Tudo parece que dá certo para esta pessoa. Isso não é aleatório, não acontece do nada; é assim que a sorte afeta a sua vida. Como dito anteriormente, a sorte é a manifestação externa da Frith e da Honra. Sendo assim, cresça e fortaleça a sua Frith através do ciclo de presentes e com atos de bondade e generosidade para com seu innangard. Outros atos honrosos, os quais são determinados pelo seu innangard, também vão agir para fortalecer sua frith. Conduzir rituais para os ancestrais, espíritos da natureza, para os deuses também pode servir para melhorar a sorte da tribo. Afinal, a sorte pode ser literalmente dada como presente para ajudar o recebedor.
Todavia, ter uma sorte fraca pode ter o efeito oposto. Peguemos a pessoa do exemplo anterior e invertamos a situação. Ela agora estaria constantemente guardando erroneamente documentos importantes, esqueceria compromissos e até mesmo perderia as chaves do carro. Conquanto isto pode acontecer com qualquer um, estas coisas irão tender a acontecer com mais frequência com pessoas “sem sorte”. Da mesma forma, agir de forma desonrosa danificará a frith em vários graus. Agressão passiva, por exemplo, é comumente pensada como desonrosa. Falar mal de alguém enquanto esta pessoa não está presente pode gerar sentimentos ruins. Estas emoções podem fazer com que as pessoas ajam de forma reservada, diminuindo assim as chances de agirem de forma generosa e como consequência ocorre a degradação da frith, honra, e da sorte.
Como podemos ver, os antigos pagãos colocavam uma grande ênfase na sorte, e esta sorte era passada hereditariamente desde o início. Você não precisa ser um pagão germânico para ter sorte, já que este conceito, como todos os outros, são parte da lei natural. Os conceitos de frith, honra, e sorte estão no epicentro da visão de mundo dos antigos pagãos. Estes três são diretamente proporcionais entre si, então basta fortalecer um, que os outros seguirão o mesmo caminho. Quaisquer outros conceitos que possamos ver e interagir são baseados ou relacionados a estes três.
Agora que temos um conhecimento mais aprofundado do que seria a sorte, fica evidente que está dentro das nossas capacidades de fazer mudanças positivas e negativas em nossas vidas e na nossa sorte. Não à toa: o destino está em nossas mãos.
Bibliografia:
GRONBËCH, The Culture of the Teutons
SOMMER, The Norse Concept of Luck
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