Sim, Thor é um Deus do Trovão. E Muito Mais.
A primeira pessoa que soube que eu era pagão foi uma namorada minha. Eu lembro que contei para ela num sábado à noite de chuva forte. Obviamente eu estava em casa. Minha namorada na época fez um brigadeiro para comer debaixo das cobertas vendo um filme. Fazia pouco tempo que eu tinha descoberto o paganismo germânico, em torno de 2012, e ainda estava naquela vibe de “meu, tenho que achar sinais dos deuses em tudo quanto é lugar”. Obviamente, quando caiu um trovão daqueles de chacoalhar a casa, eu comentei com a minha namorada “Thor tá brabo, hein?”. Esta foi a deixa para contar para minha namorada da época que eu havia decidido me tornar pagão e nós ficamos um bom tempo falando sobre isso. Falamos sobre os elfos, os sacrifícios e os deuses. Na hora de falar de Thor, não teve como não falar de ele ser o Deus do Trovão.
O mais curioso é que muita gente hoje considera isto um erro de iniciante, como se perceber Thor como um Deus do Trovão fosse errado. Há uma vertente da academia que quer tirar essa “pecha” de trovejante de Thor, alegando que ele nada tem a ver com o trovão. Esta mudança na imagem do Pensador Profundo (um dos kennings de Thor) seria só mais uma incongruência com o Grande Protetor de Asgard. Como poderia um deus cujo nome significa trovão não ser um deus do trovão? A questão é que Thor é muito mais do que um Deus do Trovão. Existe um lado de Thor que, apesar de evidente nas fontes, é totalmente desconhecido do grande público em geral. O erro do iniciante não é achar que Thor é um deus do trovão, mas sim que ele é APENAS um deus do trovão.
Um exemplo foi a conversa que eu tive com a minha namorada naquela noite. Falei sobre várias coisas que são básicas de Thor: Mjolnir, seus filhos, suas esposas, seu reino, alguns mitos, os bodes e as luvas e o cinto de força. Falei sobre como ele tinha uma personalidade de um cara que tu gostaria de levar num churrasco para contar histórias, beber cerveja enquanto está com a sua mulher no colo. Justamente a visão que as Eddas passam de Thor quando não se tem outras fontes. E quem nunca viu Thor desse jeito? O “cara dos caras”, o bonachão, o cara bombado que conta piada de tiozão e tem uma gargalhada alta. Provavelmente gosta de heavy metal.
O problema desta visão é que ela é completamente míope. Na verdade, ela não é só miópe, ela é subversiva, redutiva e contraproducente ao extremo. Passa a idéia de que para cultuar o Abençoado pela Vitória Pai de Magni só precisamos fazer um churrasco, tomar cerveja, gritar “skal”, ir para a academia, namorar uma loira e comer um boi por refeição. O deus perfeito para os “brohalla”. Desconheço injustiça mitológica maior. Alguém precisa fazer justiça ao Amigo de Mjolnir. Para tanto, é preciso primeiro ter em mente 6 coisas:
Thor é um deus muito antigo;
Thor é um deus indo-europeu;
Outras culturas indo-européias também tinham um deus do trovão;
Estes deuses do trovão eram todos os chefes dos seus respectivos panteões;
Todos eles provavelmente vem de Perkʷūnos, o deus do trovão proto-indo-europeu;
As Eddas foram escritas por um cristão para minimizar os deuses pagãos.
Então vamos ao que interessa.
Deus do Trovão?
O que precisamos entender é que um deus do trovão não é simplesmente um deus que aparece quando da trovoadas e que utiliza a sua arma para derrotar monstros. O ponto que se perde é que o trovão é uma MANIFESTAÇÃO de Thor. Está no nome. Ele é o trovão. Mas não somente o trovão.
O principal argumento para que Thor não seja um deus do trovão é o de que nas Eddas só existe uma menção a Ele e trovões, que é quando Aquele Que Fendeu as Nove Cabeças de Þrívald chega para o duelo contra Hrungnir, que em uma tradução livre diz o seguinte:
“Hrungnir colocou o escudo por debaixo de seus pés e ficou de pé sobre ele, segurando a sua pedra de sílex com as duas mão. Então ele viu relâmpagos e ouviu poderosos trovões. Então viu Thor em sua Fúria Divina, aproximando-se em enorme velocidade. Este girou o seu martelo e o arremessou de grande distância na direção de Hrungnir.”
Fora isto, não teríamos mais nada para provar a correlação entre o Glorioso Padrasto de Ullr e o trovão. Bom, como se precisasse de mais. Fica claro como um raio aqui que o trovão é uma manifestação Do Enganador de Alvís, que em sua fúria divina, manifesta uma das forças mais destrutivas existentes. Mas para muitos acadêmicos isto não é o suficiente. Eles dizem que Thor faz muito mais do que simplesmente ser o Deus do Trovão. Neste ponto concordo plenamente.Thor é muito mais do que isso.
Aquele que Impõe a Lei
Um aspecto AMPLAMENTE ignorado é o de que Thor é, antes de mais nada, relacionado à lei e a sua imposição. Existem vários exemplos que ilustram esta relação, tanto dentro quanto fora das Eddas. Vamos utilizar a história de Hrungnir. O gigante chega ao Salão dos Deuses e abusa da bebida. Começa a agir de maneira beligerante, vangloriando-se de que iria matar os deuses e levar as deusas para si. Uma óbvia quebra à Lei da Hospitalidade, uma lei não escrita mas extremamente importante para, não só os deuses, mas para toda a cultura viking em si. A hospitalidade para com a família, os amigos e forasteiros era uma obrigação moral, social e sagrada.
A professora dos Estudos de Comunicação, Cultura e História da Faculdade de Humanas da Universidade de Oulu na Finlândia, Sirpa Aalto, escreveu no seu artigo Commercial Travel and Hospitality in the Kings’ Sagas (Viagens Comerciais e Hospitalidade na Saga dos Reis em tradução livre) que "...o dever do anfitrião era colocar-se entre seu próprio grupo social e seu hóspede, oferecendo-lhe proteção. É claro que comida, bebida e abrigo eram importantes para o viajante e faziam parte da hospitalidade oferecida. (...) Esperava-se que o hóspede oferecesse um presente ao seu anfitrião ao partir, como compensação por toda a comida e bebida que havia recebido, e também como um símbolo de amizade”. A atitude de Hrungnir foi uma clara violação da lei da hospitalidade. Eis que surge Thor. Contudo, a mesma lei o impedia de derrubar o jotun ali mesmo, logo eles marcam um duelo.
Outro episódio em que isto acontece é na Lokasenna. A começar que Loki é expulso do banquete por insultar os serventes do anfitrião. Em segundo lugar, fora do salão ele ataca verbalmente Eldir, um dos ditos serventes. Em terceiro lugar, ele invade o salão e começa a ofender os Deuses (o irônico é que Loki clama justamente pela Lei da Hospitalidade para exigir um lugar à mesa). Então chega o marido de Sif e logo ameaça punir Loki pelas ofensas cometidas à mesa. Na quarta vez, Loki resolve parar e fugir do salão.
Vale ressaltar que em quase todos os mitos em que Thor aparece, a função dele é impor a lei, garantir a aplicação da lei, dar força às palavras, seja para garantir que a palavra dos Aesir não seja quebrada no mito da Construção da Muralha de Asgard, seja no encontro com Hýmir (outro que quebra a Lei da Hospitalidade ao atacar seus hóspedes dentro de casa), seja ao recuperar o seu martelo e aplicar a lei divina sobre os ladrões. Nas Eddas, o Marido de Sif é definitivamente um deus de imposição da lei.
Mas temos exemplos fora das Eddas? Duas sagas são ótimas para reforçar este padrão. A primeira é a Eyrbyggja saga (cap. 4), o santuário interno do templo para Thor construído por Þórólfr abriga um altar (stallr) sobre o qual repousa um pesado anel de braço de meio quilo. Todo chefe deveria usar esse anel no braço nas assembleias, e todos os juramentos legais tinham de ser prestados sobre ele. Quem jurava invocava os deuses com uma fórmula que citava Freyr, Njörðr e o "áss todo-poderoso (Thor)". Em outras palavras, o que fosse decidido em uma Thing só teria valor vinculante, legal e válido caso Thor presidisse sobre a mesma. O Pai de Magni e Modi é quem dá validade às coisas.
Já a Kjalnesinga saga, uma saga mais recente, descreve um conflito quando cristãos atacam o templo dedicado a Thor, demonstra que o complexo formado por templo de Thor, anel de juramentos e assembleia era uma imagem literária recorrente da sede de um chefe pagão. Ele não acrescenta uma evidência independente de que Thor governasse fronteiras ou a lei. O que mostra, isso sim, é com que consistência os autores islandeses medievais imaginavam o líder pagão (goði) como alguém que reunia funções sacerdotais, judiciais e políticas em torno de um culto a Thor.
Para deixar claro, não é Thor quem governa as leis, ele coloca elas em prática, ele impõe as consequências de quebrá-las e, talvez o mais importante, Thor tem o papel de dar poder às leis.
O que me leva para o segundo ponto.
O Consagrador Parte 1: Runas
Outra concepção errada que eu tinha no começo de minha jornada no paganismo germânico era a de que apenas Odin estava ligado às runas. Ledo engano, pois de maneira muito interessante Thor é o deus mais mencionado nas runestones, ou pedras rúnicas, justamente porque é O Mais Proeminente Entre os Aesir dá poder também às runas.
Para exemplificar, aqui temos uma lista de pedras rúnicas com suas inscrições.
Thor, O Consagrador Parte 2: Fogo
Além das runas, outro ponto que quase ninguém comenta sobre Thor é que Aquele que Não Traz Mentira no Seu Coração está associado ao fogo sagrado, ou assim como acontece com as runas, é Thor quem faz com que o fogo fique sagrado. Começaremos pela óbvia associação que muitos fogos/incêndios são causados por raios. Um segundo ponto é que um dos kennings de trovão é “fogo do céu”.
Para engrossar o argumento, na Edda em Prosa, especificamente nos capítulos 49–50 do Gylfaginning, Snorri descreve que, de maneira resumida, após a morte de Baldr, os deuses colocam seu corpo no navio funerário Hringhorni, considerado o maior de todos os navios. Eles tentam empurrar o navio para o mar, mas ele é tão pesado que não conseguem. Então chamam a gigante Hyrrokkin, que chega montada em um lobo e usando serpentes como rédeas. Ela empurra o navio com tanta força que a terra treme e rolos de fogo surgem sob os troncos. Irritado com sua brutalidade, Thor quase mata a giganta com seu martelo, mas os outros deuses o contêm. Durante a cerimônia, um anão chamado Litr passa diante de Thor, que o chuta (ou empurra) para dentro da pira, e o anão morre queimado junto com Baldr. O texto então diz que Thor consagrou a pira com seu martelo, Mjöllnir. A expressão em nórdico antigo (vígja) significa "consagrar", "tornar sagrado". O texto não afirma explicitamente que Thor colocou fogo na pira, apenas que ele a santificou ritualmente com o martelo.
Þórr vígði bálið með Mjölni, ok hann spyrndi dvergnumn Lit á bálið."
"Thor consagrou o fogo com Mjölnir e chutou o anão Lit para dentro da fogueira."
Um lugar onde o culto a Thor permaneceu por vários anos após a cristianização foi a Lapônia. Curiosamente, eles tinham um ritual de acendimento de um fogo sagrado com sílex, semelhante às tradições do needfire (fogo ritual obtido por fricção ou percussão). Em Lapponia, Schefferus afirma:
“Na cabeça colocam um prego de ferro juntamente com partículas de sílex, para que pareça que Thor produz o fogo. Embora esses elementos pareçam ter sido acrescentados posteriormente, eles são antes um símbolo do fogo, que, juntamente com o Sol, era cultuado em honra a Thor.”
Outro ponto a levarmos em conta é que o nome do anão Lit (ou Litr) significa "cor" ou "matiz". Isso pode indicar as faíscas produzidas ao golpear um sílex contra um acendedor de aço. Entretanto, Litr também possui um significado especial: "a primeira aurora" ou "a primeira visão do amanhecer". Na minha opinião, isso indica que a fogueira funerária de Baldr era acesa ao amanhecer e que o fogo de Baldr deveria ser aceso nesse mesmo momento do dia.
O culto de Þórr (Thor) preserva muitos elementos dessa antiga estrutura religiosa, o que revela quão antigo é o seu culto. Ele é chamado de þórr smiðbelga stórr ("Thor dos enormes foles da forja") em uma lausavísa - é uma composição de uma única estrofe, ou um conjunto de estrofes sem continuidade narrativa ou temática entre si - de Þjóðólfr Arnórsson. Elementos da metalurgia aparecem na linguagem da Þórsdrápa, na qual Thor mata Geirröðr utilizando ferro fundido.
O Vencedor da Batalha Contra Jormungandr está associado de maneira única aos öndvegissúlur os pilares de honra ou pilares do assento principal (fato já mencionado no artigo Thor e Irminsul), mais do que qualquer outro deus. Esses pilares eram encimados por pregos chamados reginnaglar, que também recebem o nome de regingaddi. O chamado "prego do mundo" é mencionado no manuscrito AM 748 I 4to, onde é denominado veraldarngli.
De maneira muito semelhante, os ídolos em forma de pilares dedicados a Thor, confeccionados pelos sámi, eram adornados com pregos, dos quais pendiam fragmentos de sílex para que ignem Thor excutiat ("Thor pudesse produzir fogo"). Esse fogo estava associado tanto ao Sol quanto ao raio. Thor é ligado ao fogo sagrado e a outros rituais envolvendo fogo, como os ritos de tomada de posse de terras (landtaking) e as fogueiras funerárias. Instrumentos para produzir fogo (como pederneiras e acendedores de aço) frequentemente eram encontrados juntamente com amuletos em forma de martelo (ver o amuleto de Hesselbjerg).
Outro ponto importante é que o autor do poema Haustlöng no verso 15 descreve que a chegada de Thor ao já mencionado duelo com Hrungnir causa o céu a ficar em chamas:
“Todos os santuários dos falcões [céus] viram-se em chamas por causa do padrasto de Ullr, e o chão, todo rebaixado, foi fustigado por granizo, quando os bodes puxaram o poder-do-templo [Thor] do carro fácil rumo ao encontro com Hrungnir. A viúva de Svolnir [senhor, terra] quase se partiu ao meio.”
Thor, O Chefe dos Aesir
Definitivamente a parte mais polêmica deste artigo. E justamente nesta parte irei apenas mencionar algumas citações. Sem elaborar mais nada, porque afinal de contas, contra fatos não há argumentos.
“O nome Ásabragr é mencionado em Skírnismál (verso 33) e também em Skáldskaparmál, significando o primeiro ou chefe dos Æsir.
O termo bragr, no nórdico antigo, significa o melhor de; e palavras como bragnar e bragningr significam herói ou rei.
No anglo-saxão, brego é definido em latim como princeps, que significa chefe, primeiro ou principal.”
No Gylfaginning, Thor é chamado de framarst, isto é, o mais proeminente (ou o principal) entre os Æsir.
“Þórsdrápa atribui a ele os kennings himinsjóli, que significa rei celestial, e gramr með dreyrgum hamri, que significa o rei com o martelo ensanguentado.
Sua posição elevada também é mencionada em Then Gamble Och Swenske Rijmkrönikan, de 1615, na qual se afirma que o deus Thor era o mais elevado entre eles.”
“No poema Hymiskviða, Thor apresenta-se como Þrúðvaldr goða, que significa o poderoso governante dos deuses.
Essa visão também aparece em Sveins þáttr ok Finns, que o chama de höfðingja allra goða, ou seja, o chefe de todos os deuses.
Essa ideia é ecoada em De Falsis Diis, de Ælfric of Eynsham, que afirma:
“(...) o filho era, ainda assim, mais verdadeiramente venerado do que o pai, e também é considerado o mais digno de honra entre todos os deuses que, nos tempos pagãos, tinham por deuses em seu erro.”A Kjalnesinga saga afirma que Thor era o mais honrado, e que dentro do hof (templo pagão) de Þorgrímr havia Thor no centro, com outro deus em cada um de seus lados.
A Ólafs saga Tryggvasonar escrita por Oddr Snorrason declara que Thor estava no meio do templo.
Já a versão da mesma saga presente em Flateyjarbók afirma que Thor se sentava no centro e era o mais honrado.
A Sturlaugs saga starfsama relata que Thor se sentava muito grande no assento elevado (high-seat).
Adam of Bremen escreve sobre o templo da antiga Uppsala em Gesta Hammaburgensis Ecclesiae Pontificum, afirmando que Thor se sentava no meio do salão em um trono.
O texto Sveins þáttr ok Finns afirma que, no templo de Sveinn em Trondheim (Þrándheimr), Sveinn adorava Thor mais do que todos os outros deuses.
Há também relatos de templos (hofs) que cultuavam Thor de maneira exclusiva ou henoteísta.
A Eyrbyggja saga apresenta Þórólfr Mostrarskegg como um devoto fervoroso de Thor. O templo na ilha de Mostr era chamado Þórshof (Templo de Thor), e Þórólfr atuava como guardião e protetor do templo.
Em Rögnvalds þáttr ok Rauðs, Gunnar-Rauðr herda de seu pai adotivo a responsabilidade pelo culto de Thor na ilha. O relato afirma que havia um grande templo pertencente a Thor. Assim, o templo era visto como propriedade exclusiva de Thor.
Deve-se notar também que Thor é chamado hofstjóri em Þórsdrápa, significando “condutor” ou “governante do templo”, o que naturalmente deriva de sua posição central nos templos.
Ele também é chamado hofreginn, significando “o deus do templo”, em Haustlöng.”
E Agora?
Muito do que nós temos sobre o culto a Thor vem da Islândia e justamente do final da Era Viking, quando os escandinavos já estavam sob forte influência do cristianismo. Mesmo assim, as informações que nós temos são de grande validade porque, apesar de toda volatilidade da Era Viking, os povos germânicos mantiveram muitas práticas ao longo de pelo menos mil anos. Temos Thor ligado a pilares desde o ano 200 até o 1066. Tácito descreve que os germânicos faziam Things já no ano 98. Além de bosques e fontes de águas sagradas. Então podemos dizer com grande segurança que as práticas mencionadas nas Sagas Islandesas, apesar de tardias, refletiam em muito a
Agora nos resta perceber que O Grande Amigo da Humanidade tem uma função muito mais complexa e extensa do que simplesmente ser um deus que defende as pessoas dos flagelos do mundo em forma metafórica de Jotnar. É ele quem aplica a lei, que dá validade à lei, que dá poder às runas e sacraliza o fogo, mesmo fogo que era utilizado para estabelecer fronteiras e considerado sagrado para o lar. Porque sim, Thor também era o deus do Lar.
Da pescaria.
Dos ventos.
Da Agricultura.
Mas isto fica para outro artigo.

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